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Meditar & Amanhecer - T&XTO1

Atualizado: Jun 6

Iniciamos dia vinte e cinco de maio de dois mil e vinte a nossa jornada com o Meditar & Amanhecer, que acontecerá virtualmente todas as segundas-feiras das 8h às 8h30 até o dia sete de setembro deste ano. Surge na relação da ecologia com as práticas integrativas em minha pesquisa da Ecologia de Si do doutorado em Difusão do Conhecimento. O Meditar & Amanhecer tem como propósito contribuir pela prática de meditar com o amanhecer das pessoas, o amanhecer que é trazido em seu sentido duplo, em que amanhece dentro fora, fora dentro, em sincronia, em nós mesmos e na natureza. No amanhecer o sol aparece no horizonte e vai surgindo expansivamente trazendo a sua luz, calor e energia para as nossas vidas. E neste começo de jornada, nós que participamos deste encontro, honramos em sua abertura, a todos os ancestrais que trouxeram esta prática ao mundo.


A meditação é um conhecimento ancestral milenar, oriunda de diversas civilizações que encontraram nesta prática um caminho de reconexão do ser. Essa reconexão é a do ser consigo, corpo-alma-espírito, nas relações com o outro e com o mundo. Com as diversas fontes de filosofias de onde vieram, consolidaram-se como uma sabedoria de viver a vida em leveza, relaxamento e harmonia. A meditação nos fortalece a vivermos a nossa potência, um corpo-alma-espírito livre doenças, tensões, conflitos é uma construção diária de autoconhecimento e autodesenvolvimento.


Assim, no âmbito da saúde-doença-cuidado é que em 2006 no Brasil é aprovada a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares – PNPIC no SUS pela portaria nº 971; e em 2017, com a portaria nº849 há ampliação de quatorze práticas com a inclusão dentre elas da meditação (LEAL, FRANCO, GALEFFI, 2018). A inclusão e oferta gratuita de meditação no Sistema Único de Saúde - SUS tem possibilitado um maior acesso e conhecimento desta prática de cuidado, promoção da saúde e bem estar.


E o que é meditação? Eu gosto de histórias e me lembro de uma vez em que levei uma amiga que queria viver a experiência da meditação. Fomos para uma meditação feita ao ar livre em uma praça.


Ao acabar a meditação ela me perguntou: é só isso? E eu respondi: é tudo isso. E ela me perguntou: e eu não vou ganhar um nome espiritual? Este acontecimento me faz pensar na intenção que move as pessoas para as experiências, em que muitas vezes há uma construção prévia que pode gerar algumas expectativas e impressões que colocam no campo da ilusão. É na vivencia com a prática, a partir da experiência é que cada pessoa vai ter a sua visão do que significa para ela o meditar. O que trago é que a meditação não é algo sobrenatural e na sua simplicidade é que habita toda a extraordinária complexidade de sua prática.


A pratica realizada neste encontro foi a do Ṕinakarri, eu conheci numa formação de Criação Colaborativa de Projetos Dragon Dreaming, uma prática do movimento da grande virada. O pinakarri significa “Escuta profunda, para os aborígenes Noongar. Processo de meditação ativa e conexão à Terra, em que a atenção é focada na respiração e tensões internas.” (DRAGON DREAMING, 2014, p.41). Assim denominado pelos povos indígenas Mandjilidjara Martu do grande deserto arenoso da Austrália ocidental e difundido por Jonh Croft com o Dragon Dreaming. Uma orientação desta prática é feita assim:


Acalme-se e se conecte com o seu corpo: Sinta onde o seu corpo se conecta

com a cadeira ou as almofadas onde você está sentado. Sinta o peso do seu

corpo: Note o seu peso e como a Terra lhe dá suporte. A gravidade é a força

mais antiga no universo. Se fosse uma pessoa lhe dando este tipo de apoio

você o chamaria de amor incondicional. Torne-se consciente do amor

incondicional da Terra por você, o apoio que ela lhe dá. Respire

profundamente – para dentro e para fora: Escute a diferença no tom e sinta a

diferença de temperatura entre a inspiração e a expiração. Esta diferença de

temperatura vem do Sol. Quem é você? Você é a dança dos ciclos materiais

da Terra com a energia do Sol. Você pode escutar as batidas do seu coração?

Elas estão com você desde antes de você ter nascido e estarão com você até

o momento de sua morte. Encontre o ponto onde a energia no seu corpo é

mais forte. Inspire para dentro deste ponto, relaxe conscientemente e expire

a tensão para fora. (DRAGON DREAMING, 2014, p. 6)


O pinakarri é uma meditação que nos possibilita em sua brevidade uma reconexão e no Dragon Dreaming é utilizada sempre que solicitado e percebido a necessidade de reenergizar as pessoas e o fluxo de criação, de silenciar a voz interna da mente e praticar uma comunicação mais carismática e empática.


Quando começa e quando termina a meditação? Quando se bate o sino de inicio termino de uma meditação? Ela é uma prática de vida, não se reduz a momentos que nos exercitamos com ela em um sentar com espinha reta, ali se centrar e concluir quando um sino tocar ou uma voz chamando para um fechamento. Ela é um chamado de continuar com a prática na dinâmica em que vivemos a nossas vidas. Pode haver sim um sino ou uma voz presente no início término em que nos exercitamos, e que deste momento se expanda em nossas ações. Assim, ela começa com a prática e continua com a vida bem como começa na vida e se fortalece na prática.


Há um filme que fala sobre isto, e gosto de indicar filmes pois esta arte nos possibilita outros olhares com os vividos. Neste primeiro encontro o filme indicado é O Buda, um filme do diretor argentino Diego Rafecas e Marcelo Laccarino. Um filme ficcional que conta a história de dois irmãos, com as suas questões existenciais, e como surge a experiência da meditação em seus caminhos e as aprendizagens que trazem para suas vidas.


E assim seguimos em nossas caminhadas. Até o nosso próximo encontro, lembrando que são nas segundas-feiras das 8h às 8h30. Gratidão!


Priscylla Lins


REFERENCIAS

DRAGON DREAMING. Guia prático Dragon Dreaming: uma introdução sobre como tornar seus sonhos em realidade através do amor em ação. Versão 2.0. Jan.2014 Disponível em: http://www.dragondreaming.org/. Acesso em 13 de julho de 2014.

LEAL, Priscylla Lins.; FRANCO, Anamélia Lins e Silva; GALEFFI, Dante Augusto. A. Difusão e Compartilhamento do Conhecimento dos Terapeutas e das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. In: GALEFFI, Dante Augusto; FARIAS, Ginaldo Gonçalves; LEAL, Priscylla Lins (Org.). Difusão do conhecimento: crises, conflitos e ciência no mundo contemporâneo. Curitiba: CRV, 2018.

O BUDA. Direção de Diego Rafecas e Marcelo Laccarino. Argentina, 2006, 115 min.


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